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o lado negro da princesa

o lado negro da princesa

Benevolência do universo, precisa-se

02.07.25, Mary
(Este post é provavelmente dos mais importantes e pessoais que já escrevi. Desabafo duro e honesto. Apenas. ) Procuro o meu lugarzinho no mundo. O lugar onde me sinta em casa, em paz. Sem cobiça nem inveja. Sem me sentir a mais, sentimento tão companheiro como o desamparo. Na terapia ainda não toquei no assunto, talvez com medo de que pareça algo menor, sei lá. Mas é algo presente. Começando pelo início, o meu irmão era filho único, mimado por uma família. Saí da escuridão (...)

Querida filha

30.06.25, Mary
Sê forte. Não leves a peito tudo o que dizem. Não confies demasiado, pra teu próprio bem. Guarda a piada para ti, o comentário em forma de alfinetada, a língua afiada. Protege-te. Não te exponhas demasiado para tua própria segurança. Depois do erro cometido, é difícil dar a volta. Depois de deixares transpor certas barreiras, já foste. És mulher, és o teu corpo e a tua mente. És mulher num mundo cada vez mais machista. Tens a honra de ser mulher. Só por isso já és (...)

Vestido negro

29.06.25, Mary
O vestido roça ligeiramente no empedrado. Rouba uma rosa algures no caminho, observada pelo dono, que fica como que hipnotizado. O passo seguro, quase em sintonia com o bater do coração. O bater da vida. Já quis deixar de desviver. Nessa altura no vestido estava pendurado no armário, as rosas só as via nos quadros e a vida que se lhe escapava na tristeza, na apatia, na segurança de casa. Quando se virou perante o abismo, olhou em volta. Absorveu a tranquilidade da paisagem, chorou (...)

Caminhando

25.06.25, Mary
Se algum dia conseguir ser feliz na plenitude, vai ser estranho. Quero muito que esse dia chegue, finalmente sem amargura nem sombras nem gatilhos, inseguranças, tendências inconscientes. Suicídio como escape. Dor. Medo, sempre tão presente. Olhar em frente com esperança, sem temer o futuro. Quando entra areia na ostra, ela forma uma pérola. Portanto há muito trabalho interno a fazer, monstros a enfrentar... e talvez saia disto com a graciosidade duma pérola, no meu caso, negra.

Desabafo laboral

24.06.25, Mary
É nos tantos e entretantos da vida, nos meandros do destino, no karma que não falha, na oração feita de fé e com feita com fé, é no dia seguinte que vai ser melhor, na lei do retorno, da confiança da justiça divina, na temperança que nos agarramos em dias maus. Que são apenas dias maus,  tudo é efémero, tudo pode dar uma reviravolta num piscar de olhos. Tudo muito certo mas.... porque é que os chicos-espertos acabam sempre bem? Ser trafulha dá direito a imunidade das tretas (...)

Blue jeans

23.06.25, Mary
Antes de mais, muito obrigada a equipa da Sapo pelo destaque. Foram só uns stilletos,que me magoaram os pés, mas pronto, foi mais uma história para contar. Nunca soube lidar com a minha feminilidade. Acabei por adoptar o estilo t-shirt, jeans e sapatilhas quechua, que não é muito diferente do que uso no trabalho.  Só muda o calçado- nada de Manolo Blatnik- mas umas botas Lavoro, tamanho 42, que me amortecem o andar, que são claramente masculinas, altamente úteis. Tento passar o (...)

Manolo Blatnick , tamanho 41

22.06.25, Mary
Hoje calcei uns sapatos de salto alto pela primeira vez na vida. Tamanho 41, pé de trator ( peito do pé alto e largo). Não me passou pela cabeça que o meu calcanhar entrasse naquela parte de trás tão estreita. Mas entraram. E caminhei um bocadinho com eles. O hôme estava com medo que me esbardalhesse. E eu que acabasse com um pé torcido. E o mais surpreendente foi a sensação de empoderamento que senti naquele. Aqueles sapatos, em teoria, não são para mim. Na prática, servem. (...)

O tanque

21.06.25, Mary
Já são poucas as aldeias que têm lavadouros, aqueles tanques enormes de lavar a roupa. E ainda menos quem os use. Perdeu-se o sentimento de comunidade, a política divide famílias, amizades, luta-se por um mínimo centímetro de chão, vai-se a tribunal, acontecem desgraças... Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. Em terra de pobreza, ter poder faz toda a diferença. Tive a sorte de crescer numa família onde não havia fanatismo nem invejas de cargos. Nem íamos nas caravanas. (...)

O tempo não espera

20.06.25, Mary
E tem sido cruel comigo. A doença veio depois de um acidente de trabalho num sítio onde detestava estar, onde era mal vinda desde que pus lá os pés num primeiro dia de quase dois anos e meio. Na altura sentia-me com coragem para enfrentar tudo e todos, nada me afectava (achava eu!). Eu ia sair gloriosa da situação e a outra colega ia embora. Final feliz. E efectivamente ela foi embora, no dia seguinte foi o meu último dia lá. Ironias... Depois passei meses sem querer ver ninguém, (...)

Vida de cão

17.06.25, Mary
Deixa o mundo lá fora. Sacode as botas, larga o fato-macaco. Fuma um cigarro à estupidez dos teus colegas. E a mesquinhez. E ao mau feitio. Cláusulas que não vêm no contrato mas estão subentendidas. Faz parte. A gente sabe. É lidar, é tentar lidar, é ter o sos à mão para não panicar, é saber mandar passear sem usar palavrões, se bem que são uns cabrões. É pior lidar com os colegas do que com a chefia, por mim falo. Os lambe botas, essa estirpe de colegas sebosos, são (...)