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o lado negro da princesa

o lado negro da princesa

Benevolência do universo, precisa-se

02.07.25, Mary

(Este post é provavelmente dos mais importantes e pessoais que já escrevi. Desabafo duro e honesto. Apenas. )

Procuro o meu lugarzinho no mundo. O lugar onde me sinta em casa, em paz. Sem cobiça nem inveja. Sem me sentir a mais, sentimento tão companheiro como o desamparo. Na terapia ainda não toquei no assunto, talvez com medo de que pareça algo menor, sei lá. Mas é algo presente. Começando pelo início, o meu irmão era filho único, mimado por uma família. Saí da escuridão do útero materno para mandar a nossa mãe para o útero da mãe terra. Trouxe o luto, mas queria amor. A vida teve que continuar e trouxe de volta a delicadeza de um novo amor e um novo casamento. Mas geralmente ninguém gosta de partilhar o amor. Nem a mãe. E fui crescendo, quase à parte, sedenta de uma liberdade que tardava em chegar. E quando chegou, bem, tudo era mágico, muita coisa pela primeira vez. Fui tão feliz naquela ingenuidade, sorria com pequenas coisas, ganhei uma leveza que nunca mais voltou. Nada dura para sempre e o tempo mágico acabou-se. Descobri o tão bom que é ter alguém ao lado para partilhar vida, histórias, aventuras. (Esqueci-me que a família vem incluída, conversas para outro dia.) Depois começaram os problemas. A laringite/síndrome do pânico. O acidente de trabalho. A depressão. E agora parece que virou moda ouvir que vão fazer de tudo para me tirar de onde estou a trabalhar. Já conseguiram que eu fosse despedida de um lado. E agora estão a tentar fazer o mesmo onde estou agora. Querem-me dali para fora... mais uma vez me sinto a mais. Estou anestesiada pela medicação e sou incapaz de me suicidar. Estou na merda e sinto-me incapaz de me reerguer. O que é que eu faço?