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o lado negro da princesa

o lado negro da princesa

Lidando com os demónios

16.06.25, Mary

A raiva corroi-me por dentro. É um facto difícil de admitir, difícil de lidar e, sobretudo, livrar-me dele. Sei o mal que me faz. Mas também sei de onde veio. Não é um sentimento mesquinho como a inveja, é revolta e injustiça, foi ter começado a vida logo em desvantagem, foi ter perdido a trave mestra mal vim ao mundo, é ter o peso dessa partida para sempre ligado a mim... São os dois M's que me definem, mãe e morte, tantas vezes falados na terapia. É não perceber porque não pude ter o meu colo como os outros todos, porque me calhou  um colo emprestado... E a raiva foi-se acumulando em tantas camadas até que lhe perdi o controlo. Não sou violenta, tenho muita dificuldade em demonstrar sentimentos. Até os maus. Parto para uma guerra de silêncios, passivo-agressiva, sem dizer palavra, o corpo, principalmente o olhar denunciam-me. Quero acabar com isto. Quero livrar-me de tanta amargura só porque a vida não foi justa comigo... that's it.

Vontades

14.06.25, Mary

Não vás por aí, vais encontrar o bicho papão e não vais ser capaz de lutar com ele. Anda antes para aqui estás melhor (pausa para pigarrear). Olha que aquela pessoa não é bem intencionada. Olha que naquele trabalho não vais ser feliz. E naquele outro também não, devias voltar à casa de partida, aí não é lugar para ti. Não te dou dois meses fora da nossa asa. Tu não consegues, eu sei. Deixa-te ficar, sorri para quem te fez lá no passado mas isso já passou. Este lado da família é melhor do que aquele lá... não me parece boa misturares-te com eles. Olha que o medo é um bom meio de manipulação, já sabemos como és. Mas nunca desistimos de levar a nossa avante; és demasiado mole para te impores. Não serves, não prestas para nada, és uma ingrata.  A vida segue e infelizmente já conheço o chorrilho de adjectivos incríveis dito por aquela pessoa. That's it.

A la portuguesa, com certeza

13.06.25, Mary

Saias rodadas. Gente a rodopiar nos arraiais ao som de música pimba de que toda a gente gosta mas ninguém admite. Bandeirinhas penduradas, cerveja a rodo, cheiro a fumo no ar e na roupa. Pés doridos ao fim da noite. Glitter e copos de plástico e gente que, de ser tanta, mal se consegue mexer. Pivete a suor, línguas de todo o mundo num só mundo em que ninguém se entende, só falando em Caps Lock e e.... Isto é nos bairros alfacinhas,contam, nunca lá fui... Na aldeia é parecido, mas para melhor. É virem conhecer e depois comparar...

Too tired to think

12.06.25, Mary

Podia ficar aqui perdida em redondilhas,a opinar sobre o que toda a gente opina, erguer o meu pescocito e pedir a palavra. Ou ser mais uma a destilar veneno nas caixas de comentários por essa Internet fora. Seria mais uma. Seria. Não sou. Tenho mais que fazer. Sou técnica paisagista no património mundial que é o Douro. Os socalcos são o sustento de muitos. Preocupa-me ter uma tesoura que não me mace os pulsos e seja eficiente. Preocupa-me ter água suficiente para as 8h de trabalho. Preocupa-me o estado dos meus tornozelos, coitados. Deito cedo e levanto cedo. Na cidade é o caos, no campo é a sobrevivência. That's it.

Bagatelas

11.06.25, Mary

O que funciona para ti pode não funcionar para outras pessoas. Não há uma cura universal, o caminho é individual. A vida não anda se não deres o primeiro passo. A sorte dá trabalho. Nem sempre se fica mais forte depois de superar as dificuldades da vida. Pode-se ficar mais frágil e não há mal nenhum nisso. Aceitar a nossa imperfeição enquanto seres humanos é uma boa ajuda para se ser boa pessoa. Mais vale cair em graça do que ser engraçado. Não vais entender tudo o que se passa a tua volta, é um enredo não um monólogo. Come bem, dorme bem. Não te mentalizes que tudo na vida é um desafio,uma competição constante. É possível viver com leveza. É só descobrir o caminho até lá. That's it.

Fadiga

11.06.25, Mary

Não tenho propriamente nada de especial a dizer. Não sou figura pública nem tenciono ser. Refugio-me na liberdade que dá ser uma voz entre tantas, como um sopro praticamente inaudível, de me poder escapar com frases feitas, lugares comuns e acenos de cabeça mais ou menos convincentes. Tenho um par de frases minimamente motivacionais sempre a mão, dão sempre jeito. Perco-me num discurso vazio, oco, que não exige grande raciocínio. Uso o sentimento que tiver mais a mão, ora amargo, ora doce, porque a emoção pode-nos levar ao extremo da loucura. Estava a precisar de exercitar o músculo da escrita, falando de nada, sem grandes delongas. É só mais um, entre tantos...

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